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Variedades de Café

Café da Guatemala: Antigua e Huehuetenango

Café da Guatemala: as regiões de Antigua e Huehuetenango, o solo vulcânico e a altitude que dão ao país um dos cafés mais elegantes.

Mariana Figueiredo Mariana Figueiredo · 4 min de leitura

Tem cafés que a gente reconhece quase de olhos fechados, só pelo jeito como o aroma chega antes do primeiro gole. O café da Guatemala costuma ser assim: uma xícara elegante, com acidez viva e um corpo que equilibra doçura e profundidade sem pesar. Boa parte desse caráter vem de onde os grãos nascem — um país cortado por vulcões e cordilheiras, com microclimas que mudam de uma encosta para outra. Duas regiões resumem bem esse contraste: Antigua, perto da capital, e Huehuetenango, lá no norte, na fronteira com o México.

Antigua, a região dos vulcões

Antigua é talvez a região cafeeira mais conhecida da Guatemala, e não é à toa: a cidade colonial fica cercada por vulcões, o que marca a paisagem e também o solo onde o café é cultivado. Terrenos de origem vulcânica costumam ser ricos em minerais, e isso tende a favorecer plantas de café mais equilibradas, com xícaras que combinam doçura de caramelo com uma acidez suave, quase cítrica. É um café que costuma ser descrito como “clássico” dentro do universo dos cafés da América Central — refinado, mas nada extremo.

Café da Guatemala: Antigua e Huehuetenango

Huehuetenango, altitude e proteção natural

Já Huehuetenango fica em uma faixa mais alta e mais isolada do país, protegida por cadeias de montanhas que ajudam a barrar frentes frias vindas do norte. Essa proteção natural permite que o café seja cultivado em altitudes elevadas sem o risco constante de geada, algo raro em regiões cafeeiras tão ao norte do equador. O resultado costuma ser uma xícara mais intensa e complexa, com notas que lembram frutas maduras e um final de boca mais longo — características que aparecem com frequência em cafés cultivados em grande altitude, como explicamos neste artigo sobre café de altitude.

Por que a altitude muda tanto o sabor

A relação entre altitude e sabor não é coincidência. Em locais mais altos, as noites costumam ser mais frias, e essa amplitude térmica faz com que o fruto do café amadureça mais devagar. Esse amadurecimento lento dá tempo para que os açúcares se desenvolvem com mais intensidade dentro da cereja, o que geralmente resulta em grãos mais densos e xícaras com mais complexidade aromática. É por isso que tantos cafés de origem — não só os da Guatemala — usam a altitude como uma espécie de carimbo de qualidade na hora de contar sua história.

O papel do terroir guatemalteco

Mas altitude sozinha não explica tudo. O conjunto de fatores que forma o chamado terroir — solo, clima, sombra das árvores ao redor da lavoura, regime de chuvas — é que dá a cada região sua assinatura própria. É por isso que Antigua e Huehuetenango, mesmo dentro do mesmo país, produzem cafés tão diferentes entre si. Se você já se perguntou por que dois cafés cultivados a poucas centenas de quilômetros de distância podem ter perfis de sabor tão distintos, vale a pena entender melhor como o clima afeta o sabor do café — o terroir é justamente essa soma de pequenas variações que o solo e o tempo vão gravando no grão.

Uma xícara que carrega paisagem

Experimentar um café da Guatemala, seja de Antigua ou de Huehuetenango, é também uma forma de provar um pedaço de paisagem: vulcões, montanhas altas e um clima que colabora com o cultivo em quase todo o território do país. Não é preciso ser especialista para notar a diferença entre uma xícara mais suave e floral e outra mais encorpada e frutada — basta prestar atenção na próxima vez que encontrar um café guatemalteco na prateleira. É esse tipo de curiosidade, aliás, que torna o universo do café tão gostoso de explorar: cada origem tem uma história de solo, altitude e clima escondida dentro do próprio sabor.

Fotos: capa por HAROLD PRODUCTIONS; imagem interna por Irvin David — via Pexels.