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Cafeterias e Experiências

Cafeterias de jogos de tabuleiro: café entre partidas

Estante de jogos, mesa grande e café sem pressa: as board game cafeterias viraram programa de grupo. Como funciona e por que o formato segura o cliente por horas.

Mariana Figueiredo Mariana Figueiredo · 4 min de leitura

Tem um tipo de cafeteria que não mede o sucesso pelo giro de mesa, e sim pelo contrário: quanto mais tempo o cliente fica, melhor. É a cafeteria de jogos de tabuleiro, formato que pega o ritual do café — a xícara que esquenta a mão, a desculpa perfeita pra sentar e conversar — e junta com uma estante cheia de caixas coloridas. O resultado é um programa que começa às vezes no fim da tarde e só termina horas depois, entre uma partida e outra.

Uma estante em vez de uma prateleira de bolos

O primeiro sinal de que você entrou numa cafeteria de jogos é visual: em vez da vitrine tradicional de doces, a parede é tomada por dezenas — às vezes centenas — de caixas de jogos, organizadas por complexidade ou número de jogadores. Tem opção rápida pra quem só quer distrair enquanto espera o pedido, e tem jogo longo, daqueles que pedem uma tarde inteira e uma mesa grande só pra abrir o tabuleiro. Essa variedade é proposital: o lugar quer atender desde o grupo de amigos que topa qualquer coisa até quem já é fã de estratégia e procura um desafio específico.

O espaço físico também muda de acordo com esse objetivo. As mesas costumam ser mais amplas do que numa cafeteria comum, pensadas pra caber tabuleiro, cartas, fichas e ainda sobrar espaço pra xícara e prato sem derrubar peça no chão. Cadeiras confortáveis, boa iluminação e um volume de música mais baixo — o tipo de detalhe que faz diferença quando a ideia é ficar sentado por duas ou três horas.

Cafeterias de jogos de tabuleiro: café entre partidas

Café e comida pensados pra ficar

Se o modelo depende de reter o cliente por tempo, o cardápio segue essa lógica. É comum encontrar cafés especiais preparados em métodos que também pedem paciência — algo que combina com quem já vai passar a tarde ali mesmo — além de porções pensadas pra beliscar aos poucos: tábuas, salgados e doces que aguentam ficar na mesa sem esfriar ou perder a graça. Muita gente inclusive pede uma segunda ou terceira rodada de bebida ao longo da sessão, o que ajuda a sustentar o negócio mesmo com o cliente ocupando a mesma mesa por horas.

Não é raro esse tipo de espaço se inspirar em outros formatos que também apostam na permanência prolongada — cafeterias dentro de livrarias, por exemplo, já mostraram que café bom e um motivo pra ficar sentado formam uma combinação difícil de bater. A diferença é que, no lugar dos livros, a companhia agora é o próprio grupo de jogadores.

O anfitrião que ensina as regras

Uma característica que aparece em boa parte dessas cafeterias é a figura de alguém da casa disposto a explicar as regras pra quem chega sem saber jogar. Esse papel de anfitrião derruba a maior barreira do hobby, que costuma ser justamente o medo de não entender o jogo e travar a diversão do grupo. Com alguém puxando a primeira rodada, o cliente sai da mesa já sabendo jogar sozinho da próxima vez — e cria vontade de voltar.

Por que o formato prende o cliente por horas

A explicação pro sucesso desse modelo é simples: um jogo de tabuleiro tem começo, meio e fim, e ninguém levanta da mesa no meio de uma partida. Enquanto num café comum a experiência acaba quando a xícara esvazia, aqui o consumo de bebida e comida vira pano de fundo pra uma atividade que já tem duração própria. Isso naturalmente estica o tempo de permanência e, junto com ele, o ticket médio da mesa.

Mas talvez o efeito mais forte seja outro: esse tipo de cafeteria vira ponto de encontro fixo. Grupos marcam de se reunir toda semana, sempre no mesmo lugar, criando uma clientela recorrente que qualquer negócio de café sonha em ter. Assim como acontece com espaços que reúnem escritores em torno de uma xícara, o café aqui vira só o pretexto — o que fideliza mesmo é a comunidade que se forma ao redor da mesa.

Se você quer descobrir cafeterias com esse tipo de proposta perto de você — de jogos, de livros ou de qualquer experiência que valha uma tarde inteira —, vale a pena consultar o guia de cafeterias do Cafezall antes de sair de casa.

Fotos: capa por Pavel Danilyuk; imagem interna por Golboo Maghooli — via Pexels.