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Histórias e Curiosidades sobre Café

Cafés do mundo: como cada país prepara o seu café

Cafés do mundo: do espresso italiano ao café turco e ao filtrado nórdico — veja como diferentes países preparam e vivem o café.

Mariana Figueiredo Mariana Figueiredo · 4 min de leitura

Se existe uma bebida que muda de sotaque em cada fronteira, é o café. O grão viajou do Chifre da África para quase todos os cantos do planeta e, em cada parada, ganhou um jeito próprio de ser preparado. Hoje a gente propõe um tour rápido por essas tradições, do espresso italiano ao cafezinho brasileiro.

Itália: o templo do espresso

Não dá para falar de tradições cafeeiras sem começar pela Itália, onde o espresso é praticamente um direito civil. Servido em xícaras pequenas, forte e encorpado, ele nasce da pressão da água quente passando rapidamente pelo pó bem fino. É a base de quase tudo por lá: o cappuccino, com leite vaporizado e espuma cremosa, é tradicionalmente coisa de manhã — pedir um depois do almoço costuma render um sorriso condescendente do barista. Nos bares italianos, o café se toma em pé, no balcão, em poucos goles.

Cafés do mundo: como cada país prepara o seu café

Turquia, Grécia e Oriente Médio: o café no ibrik

Em outra ponta do Mediterrâneo, o preparo é bem mais lento. O café turco é feito no ibrik (ou cezve), uma panelinha estreita de cabo longo, onde o pó — moído quase como farinha — cozinha junto com a água, e às vezes o açúcar, até formar uma espuma na superfície. Não se coa: o pó decanta no fundo da xícara. A mesma lógica de preparo, com pequenas variações de nome, aparece na Grécia e em boa parte do Oriente Médio, onde compartilhar esse café é sinônimo de hospitalidade.

Vietnã: doce, gelado e cheio de personalidade

No Sudeste Asiático, o Vietnã criou uma das combinações mais originais do mundo do café: o cà phê sữa đá. O café, de torra escura e sabor intenso, é filtrado lentamente gota a gota em um filtro individual de metal (o phin) posicionado sobre o copo, onde já espera uma camada generosa de leite condensado. O resultado desce, se mistura, e depois é servido com bastante gelo — doce, refrescante e símbolo da cultura de rua vietnamita, provado em banquinhos baixos nas calçadas.

Países nórdicos: torra clara e muitas xícaras

Já nos países nórdicos — Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca —, o consumo de café por pessoa está entre os mais altos do mundo, e a preferência é pelo caminho oposto ao turco: grãos de torra clara, coados em métodos filtrados que preservam notas florais e ácidas. O café ali é parte do cotidiano, presente em pausas conhecidas como fika na Suécia — momentos de desacelerar, tomar uma xícara e conversar, geralmente acompanhados de algo doce.

Etiópia: o berço do café e sua cerimônia

Voltando à origem, a Etiópia é onde a história do café começa, e é também onde ele é celebrado com mais ritual. Na cerimônia do café etíope, os grãos verdes são torrados na hora, em uma panela sobre brasas, moídos logo em seguida e fervidos em um bule de barro chamado jebena. O aroma da torra é compartilhado com quem está por perto antes mesmo de a bebida ficar pronta, e o café é servido em rodadas — geralmente três —, um gesto de acolhimento que dura boa parte da tarde.

Cuba: o cafecito da tarde

Em Cuba, o cafecito é um expresso forte, adoçado já durante o preparo — o açúcar é batido com as primeiras gotas do café até formar uma espuma clara chamada espumita, depois misturada ao restante da bebida. Servido em doses pequenas e compartilhado entre amigos, é tomado em pé, na janela de alguma cafeteria de bairro.

Brasil: o cafezinho de todo dia

E chegamos em casa. No Brasil, maior produtor mundial de café, a tradição é o cafezinho: coado, geralmente adoçado, oferecido como gesto natural de hospitalidade em qualquer visita ou pausa de trabalho. Essa relação próxima entre o país e o grão vem de longe — vale entender como o café chegou ao Brasil para ver como esse hábito se espalhou por aqui.

O que fica claro nesse giro pelo mundo é que não existe um “jeito certo” de tomar café — existem contextos e culturas que moldaram cada tradição. E, por falar em contexto, o clima também influencia diretamente o sabor do grão que dá origem a todas essas bebidas: vale conferir como o clima afeta o sabor do café. Da próxima vez que você preparar a sua xícara, lembre-se: está participando de uma tradição que se repete, com sotaques diferentes, em quase todos os continentes.

Fotos: capa por Ahmed ؜; imagem interna por Jean-Paul Wright — via Pexels.