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Métodos de Preparo de Café

Cafeteira napolitana (cuccumella): o método clássico

Cafeteira napolitana (cuccumella): a icônica cafeteira italiana de virar. Como funciona, como usar e o café encorpado que ela entrega.

Mariana Figueiredo Mariana Figueiredo · 5 min de leitura

A cafeteira napolitana (cuccumella) é uma relíquia charmosa da cafeteria de casa: aquele objeto de metal com duas panelinhas encaixadas e um filtro no meio, que muita gente reconhece na cozinha da avó sem saber exatamente como usar. Diferente da moka, que empurra a água pela pressão do vapor de baixo para cima, a napolitana trabalha por gravidade — e essa diferença de física muda o resultado da xícara.

O que é a cuccumella

Criada na Itália do século XIX, a cuccumella (apelido carinhoso napolitano da cafeteira) é formada por dois corpos cilíndricos que se encaixam por cima um do outro, com um filtro central onde entra o café moído. Não tem válvula, não tem pressão: é um sistema simples, quase artesanal, pensado para famílias que preparavam o café aos poucos, em fogo baixo, sem pressa.

Por fora ela lembra a moka — os dois são objetos de metal, feitos para o fogão, e ambos vêm da tradição italiana de café coado sob calor. Mas o mecanismo interno é completamente diferente, e é aí que mora a graça de conhecer os dois métodos.

Cafeteira napolitana (cuccumella): o método clássico

Como funciona: o “virar” que dá nome ao método

O funcionamento da napolitana é quase uma coreografia. A água é aquecida na parte de baixo, com o filtro de café encaixado por cima. Quando a água começa a ferver, o conjunto inteiro é virado de cabeça para baixo — é esse gesto que dá à cafeteira napolitana o apelido de “cafeteira que vira”. Com a inversão, a água quente passa a ficar acima do filtro e, por gravidade, escoa lentamente através do pó, gotejando na parte que antes estava embaixo e que agora vira o bule.

Não há pressão empurrando a água como na moka: é a gravidade, em ritmo lento, que extrai o café. O resultado é uma xícara de corpo denso, mas sem a intensidade da moka — um meio-termo curioso, mais próximo de um coado bem forte.

Passo a passo para preparar

  • Encha a parte inferior com água até a marca ou até a altura da válvula de segurança, quando houver.
  • Encaixe o filtro com o café moído em ponto médio, nem muito fino nem muito grosso, e nivele sem apertar demais o pó.
  • Feche o conjunto com a segunda peça por cima e leve ao fogo baixo a médio.
  • Espere ferver. Quando sair vapor ou a água começar a borbulhar, é o sinal de virar.
  • Vire a cafeteira de uma vez, com um pano para proteger a mão, e deixe apoiada sobre a base.
  • Aguarde o gotejamento completo, sem sacudir, até a água toda passar pelo filtro.
  • Sirva assim que o processo terminar, para não perder aroma.

O perfil de xícara: mais próximo do coado forte

Quem já provou moka e espera o mesmo resultado da napolitana costuma se surpreender. A extração por gravidade, mais lenta e sem pressão, tende a gerar um café encorpado, mas com acidez mais evidente e menos daquela crema espessa típica da moka. É um perfil que lembra um coado robusto — por isso a napolitana agrada quem gosta de um café presente, mas não tão concentrado quanto o de pressão.

Para quem quer comparar diferentes formas de extrair o café em casa, vale conferir também o comparativo entre prensa, coador e cafeteira italiana, que ajuda a entender onde a napolitana se encaixa no meio desse universo.

Napolitana x moka: as diferenças na prática

A moka usa a pressão do vapor para forçar a água pelo pó, resultando numa xícara mais concentrada, com aquela espuma característica no topo. A napolitana, sem pressão, extrai por gravidade — processo mais lento e resultado mais suave, mas ainda mais forte que um coado comum de filtro de papel.

Outra diferença prática é o ritual: a moka fica parada no fogo até terminar sozinha, enquanto a napolitana pede aquele momento de virar o conjunto, o que torna o preparo mais interativo — e, para muita gente, mais nostálgico. Se você já usa a moka em casa e quer comparar o passo a passo lado a lado, este guia da cafeteira italiana moka mostra bem o contraste entre os dois métodos.

Vale a pena ter uma cuccumella em casa?

Para quem gosta de café com corpo, mas prefere um resultado menos concentrado que o da moka, a napolitana é uma ótima opção — e ainda carrega aquele charme retrô de cafeteira de família. É um método que exige atenção no momento de virar, mas recompensa com uma xícara única, cheia de história italiana dentro de casa.

Fotos: capa por Jessica Lewis 🦋 thepaintedsquare; imagem interna por Sed‌ “Creatives” Sardar — via Pexels.