Se você acha que café bom é coisa só de Minas Gerais ou do Sul do país, prepare-se pra rever esse mapa mental: em agosto, a Bahia vira palco do que promete ser o maior festival de café já feito no estado. E o motivo pra prestar atenção não é só o cheiro de grão torrado no ar — é a chance de ver de perto por que a cafeicultura baiana, que já vinha ganhando espaço silenciosamente entre produtores de altitude, virou finalmente assunto sério no cenário nacional.
O Festival Baiano de Cafés chega à sua maior edição
Nos dias 15 e 16 de agosto, o Trapiche Barnabé, em Salvador, recebe a quarta edição do Festival Baiano de Cafés. A organização promete a maior versão do evento até hoje: mais de 70 expositores entre produtores, torrefações, cafeterias, cooperativas e especialistas, com expectativa de reunir mais de 2 mil visitantes por dia e movimentar acima de R$ 500 mil em negócios. Os ingressos estão à venda no Sympla — passaporte para os dois dias por R$ 60, avulso por R$ 35 e meia-entrada por R$ 20.
Protagonismo feminino no centro da roda
O tema desta edição é “Compromisso, Tempo e Transformação”, e o festival decidiu colocar as mulheres agricultoras no centro do palco — em sintonia com o Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pela ONU. É uma homenagem direta a quem sustenta boa parte da cadeia produtiva do café no Brasil: da lavoura à torra, passando pela xícara servida no balcão.

Quem sobe ao palco
A programação reúne nomes que já circulam entre os grandes eventos do café especial no país. Entre as convidadas confirmadas estão:
- Ju Morgado, campeã brasileira de Brewers Cup 2026;
- Isabela Raposeiras, fundadora do Coffee Lab;
- Antônia Silva, mestre de torra;
- Kelly Stein, jornalista e criadora da plataforma COFFEA;
- Mari Mesquita, barista e bartender;
- Maria Midlej Bastos, pesquisadora.
Além das palestras, a agenda traz rodas de conversa, oficinas, degustações guiadas, experiências sensoriais e shows musicais — um festival pensado tanto pra quem já vive de café quanto pra quem só quer aprender a apreciar melhor a própria xícara.
O café oficial vem do Planalto da Conquista
Um dos destaques da curadoria é o Café Oficial da edição, produzido por Ana Cristina, da Fazenda Ouro Verde, em Barra do Choça, e torrado pela Eufrásio Cafés. A escolha reforça algo que quem acompanha o setor já sabe: a Bahia não é coadjuvante no mapa do café brasileiro — entre a Chapada Diamantina e o Planalto da Conquista, o estado vem construindo um nome sólido em cafés de altitude e perfil sensorial bem definido. Tanto que a região do sudoeste baiano já discute uma rota turística dedicada ao tema, interligando fazendas, cafeterias, torrefações e espaços culturais em vários municípios — sinal de que o interesse pelo café baiano deixou de ser só produção e virou também experiência de viagem.
Por que vale a pena encarar um festival de café
Se você nunca foi a um evento assim, vale entender o clima. Feiras como essa costumam funcionar como uma vitrine viva do movimento do café especial: você prova métodos diferentes lado a lado, conversa com quem plantou o grão que está na sua xícara e sai entendendo, na prática, por que origem e processo mudam tanto o sabor. É também onde cooperativas e pequenos produtores ganham vitrine — muitas vezes o primeiro contato direto entre quem produz e quem consome, sem atravessador no meio do caminho.
Pra quem só bebe café no automático de manhã, esse tipo de evento costuma ser uma pequena revolução de percepção. Depois de provar um espresso feito com grão de uma fazenda específica, servido por quem participou da colheita ou da torra, fica difícil voltar a encarar a xícara do dia a dia sem curiosidade sobre a origem do que está bebendo.
Vale reservar a data
Com programação ampliada, recorde de expositores e uma curadoria que junta ciência, sensorialidade e protagonismo feminino, o Festival Baiano de Cafés 2026 tem tudo pra ser um bom motivo pra conhecer Salvador com outro olhar — o do café. Se a rota do café baiano ainda não estava no seu radar, agosto é uma boa desculpa pra colocar.


