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Cafeterias e Experiências

Festival de café em BH começa amanhã no Ponteio, com feira gratuita

A 3ª edição do Festival Tomei Gosto por Café ocupa o Ponteio Lar Shopping na sexta e no sábado, com entrada livre na feira e masterclasses de Helga Andrade e Flávio Borém.

Mariana Figueiredo Mariana Figueiredo · 9 min de leitura

Hoje, 1º de outubro, é o Dia Internacional do Café. Em Belo Horizonte, a comemoração começa amanhã e dura dois dias, com uma feira de entrada gratuita no Ponteio Lar Shopping.

Nesta sexta e no sábado, 2 e 3 de outubro, o Ponteio recebe a terceira edição do Festival Tomei Gosto por Café, das 11h às 19h, no segundo piso do shopping.

São produtores, torrefações, cafeterias e marcas do que combina com café, além de um espaço para masterclasses e workshops. A ideia cabe numa frase: chegar perto de quem faz o café que você bebe.

Feira de graça, experiências pagas: como o festival funciona

Vale esclarecer logo, porque é a dúvida mais comum: a entrada na feira é livre e gratuita. Não precisa retirar ingresso nem fazer cadastro. Você chega, circula, prova e conversa com os expositores.

O que é pago são as masterclasses e os workshops. Eles acontecem num espaço à parte, o Espaço Workshop, na praça de alimentação do segundo piso, entre a Fanny e o Hokkaido.

Essas atividades têm vagas limitadas e ingressos vendidos pela plataforma Zig Tickets. Dá para ir só à feira e aproveitar o dia inteiro sem gastar nada com entrada.

O guia oficial resume o público que o festival quer alcançar: a programação foi pensada para “iniciantes e iniciados”. Ninguém precisa saber o que é perfil sensorial para se divertir ali.

Quem expõe: de cafés de fazenda a queijo, mel e defumados

A lista de marcas confirmadas mistura café e o que vai junto dele. Do lado do café estão Borém Cafés Especiais, Oca do Café, Yes Nós Temos Café, Fazenda Cegê, Café Tonani e Specius Coffee.

A BSCA, associação brasileira dos cafés especiais, e a FAEMG, federação da agricultura de Minas, também aparecem entre os nomes confirmados.

Do lado dos acompanhamentos, a feira traz Cura Queijaria, Fumeiro Mineiro, Apiário Realeza, Daniela PetitFour, Kochen Azeites Saborizados, Delichat e Hogdidi.

A organização avisa que são produções artesanais e limitadas. Na prática, quem chega no fim do sábado corre o risco de não encontrar aquele queijo ou aquele mel que alguém elogiou na sexta.

A graça de um festival assim não é só comprar. É poder perguntar a quem plantou ou torrou por que aquele café lembra frutas vermelhas, ou o que muda quando a torra fica mais escura.

Se você nunca fez isso, vale chegar sabendo o que perguntar no balcão de uma torrefação. Ajuda a transformar a conversa em descoberta.

Barista atende visitantes no espaço Faça Seu Próprio Café do festival
O espaço Faça Seu Café, com baristas tirando dúvidas do público. Foto: Tomei Gosto Por Café / Aline Ruas (divulgação)

Sexta (2/10): Open Coffee, Vandola, espresso em casa e Flávio Borém

A feira abre às 11h. O Espaço Workshop começa a programação ao meio-dia, com a abertura oficial do evento.

13h — Open Coffee. Helga Andrade conduz uma experiência sensorial pelos diferentes perfis dos cafés brasileiros, com suas origens e características, e demonstra métodos de preparo.

Segundo a organização, o Open Coffee foi sucesso de público na edição passada, e por isso volta. A sessão de sexta vai das 13h às 15h.

15h30 — Workshop Vandola. Uma imersão no método de preparo em cerâmica criado pela ceramista Zora Paiva. A atividade é curta: vai das 15h30 às 16h.

16h — Faça Seu Café. Um espaço em que baristas profissionais tiram dúvidas e passam dicas práticas para quem quer extrair um café melhor em casa, com técnicas simples para o dia a dia.

17h — Todas as perguntas sobre espresso em casa. Nirjano Prem, fundador da Oficina do Espresso e do Achega, explica como funcionam as máquinas domésticas e o que fazer para chegar a boas extrações.

É a atividade certa para quem comprou uma máquina, ainda não acertou o ponto e já desconfia que o problema não é só o café.

18h — Masterclass com o professor Flávio Borém. O tema é “O novo momento do café especial”. A organização apresenta Borém como a maior autoridade brasileira em qualidade de café.

Na palestra, ele deve compartilhar pesquisas e observações sobre inovação na produção, na torra e no preparo de cafés de alta qualidade.

Sábado (3/10): charcutaria, degustação e três sessões de Faça Seu Café

De manhã, das 10h às 12h, o Espaço Workshop recebe um evento fechado de confraria. A feira, aberta ao público, funciona normalmente a partir das 11h.

13h — Cafés Especiais & Charcutaria. O professor Flávio Borém volta para uma harmonização entre perfis de café e carnes curadas artesanais, explorando aroma, textura e sabor.

A ideia é mostrar que café não precisa ficar restrito ao fim da refeição e pode conversar com a mesa, assim como acontece com vinho e cerveja.

15h30 — Open Coffee Degustação. Helga Andrade repete a viagem pelos perfis dos cafés brasileiros, agora acompanhada de pequenos mimos da feira. Vai das 15h30 às 17h30.

16h, 17h e 18h — Faça Seu Café. No sábado, o espaço com baristas tem três sessões. Quem não conseguir vaga numa pode tentar a seguinte.

Todos os ingressos das atividades estão em zig.tickets/organizacoes/tomei-gosto-por-cafe. Como as vagas são limitadas, vale garantir antes de sair de casa.

Expositor conversa com visitantes em estande de café com pacotes à mostra na feira
Conversa direta com quem produz e torra: a graça da feira. Foto: Tomei Gosto Por Café / Aline Ruas (divulgação)

Como aproveitar a feira sem sair de mãos vazias

O próprio guia do evento dá três dicas. A primeira é experimentar vários cafés, e não só o primeiro que chamar a atenção.

A segunda é conversar com os expositores e aprender o que diferencia cada grão e cada bebida. A terceira é provar os acompanhamentos e escolher os favoritos antes de comprar.

Dá para somar algumas dicas de quem frequenta feira de café. Prove em ordem, dos cafés mais suaves para os mais intensos, e beba um pouco de água entre uma prova e outra.

Anote o nome do café, a origem e o que você sentiu. No fim do dia, a memória mistura tudo, e a anotação é o que te faz voltar ao estande certo.

Pergunte também como aquele café se comporta no método que você usa em casa. Um grão que brilha no espresso pode ficar diferente no coador, e quem torrou costuma saber dizer.

Se a ideia é entender por que alguns cafés custam mais, vale ler antes o que define um café de especialidade. A conversa no estande fica bem mais rica.

Quem está por trás: Mário Alaska e Helga Andrade

O festival é criação de Mário Alaska, jornalista e sommelier de cervejas, conhecido no rádio pelo programa 98 Futebol Clube, da 98 FM de Belo Horizonte.

Hoje ele se dedica ao Tomei Gosto, portal que começou em 2017 com o Beer Crawl, uma caminhada entre cervejarias artesanais, e virou também podcast.

O podcast abre com a pergunta “Cerveja, café ou vinho?” e ficou em segundo lugar no Prêmio Melhor Podcast do Brasil de 2024, na categoria Gastronomia.

Mário também criou o Guia Café, guia interativo de cafeterias de Belo Horizonte. Sobre a mudança para o Ponteio, ele diz que o público mineiro é “muito curioso por conhecer novos cafés”.

Segundo ele, as duas edições anteriores deixaram clara essa curiosidade, e o novo endereço permite ampliar a oferta de experiências.

A sócia do evento é a consultora Helga Andrade, degustadora de cafés especiais e barista certificada pela Specialty Coffee Association, a SCA.

Ela ministra cursos oficiais Q Grader e Barista Skills pelo Brasil e, depois de representar os Cafés do Brasil nos EUA, na China e na Europa, fundou a Helga Coffee Experts.

“O café especial está saindo do lugar de nicho para o lugar de segmento de mercado”, afirma Helga. Para ela, o festival quer aproximar as duas pontas da cadeia: produtor e consumidor.

Minas colhe mais da metade do café do Brasil

Que um festival assim aconteça em Minas não é acaso. O terceiro levantamento da safra de café da Conab, divulgado em 24 de setembro, estima a produção brasileira de 2026 em 67,6 milhões de sacas.

É a maior da série histórica da Conab. Minas Gerais responde por cerca de 35,6 milhões de sacas, o equivalente a 52,7% de tudo o que o país colhe.

Só que morar no estado que mais produz café no Brasil não significa, automaticamente, conhecer o café que sai dele. É essa distância entre a lavoura e a xícara que o festival tenta encurtar.

Se a curiosidade continuar depois do fim de semana, e ela costuma continuar, dá para seguir explorando cafeterias pelo guia de cafeterias do Cafezall.

Serviço: endereço, horários e ingressos

Festival Tomei Gosto por Café — 3ª edição
Quando: 2 e 3 de outubro (sexta e sábado), das 11h às 19h
Onde: Ponteio Lar Shopping, 2º piso
Endereço: BR-356, 2.500, Santa Lúcia, Belo Horizonte (MG)

Feira: entrada livre e gratuita, sem necessidade de ingresso
Masterclasses e workshops: pagos, com vagas limitadas, no Espaço Workshop (praça de alimentação)
Ingressos: Zig Tickets

Fotos: Tomei Gosto Por Café / Aline Ruas (divulgação). Informações: material oficial de divulgação do evento e Conab.