Seu café está sendo coado...

Pular para o conteúdo
Variedades de Café

Variedades de café arábica: bourbon, catuaí e geisha

Conheça as variedades de café arábica: típica, bourbon, mundo novo, catuaí e a rara geisha, tão premiada no café especial.

Mariana Figueiredo Mariana Figueiredo · 4 min de leitura

Variedades de café arábica são os diferentes cultivares que surgem dentro de uma única espécie — a Coffea arabica — cada um com características próprias de planta, produtividade e, principalmente, sabor na xícara. Típica, bourbon, mundo novo, catuaí e geisha estão entre as mais conhecidas, e entender a diferença entre elas ajuda a explicar por que dois cafés arábica podem ter perfis de sabor tão distintos mesmo vindos da mesma espécie.

Variedade não é a mesma coisa que espécie

É comum confundir “arábica” com “variedade”, mas são conceitos diferentes. O arábica é uma espécie de café, assim como o robusta (conilon). Dentro dessa espécie, porém, existem dezenas de cultivares — as variedades — que foram selecionadas ao longo do tempo por características como resistência a doenças, formato do grão, altura da planta e potencial de qualidade. É como comparar tipos de uva dentro da videira: todas fazem vinho, mas cada uma imprime uma assinatura própria.

Variedades de café arábica: bourbon, catuaí e geisha

As principais variedades de café arábica

No Brasil e em boa parte do mundo produtor, algumas variedades se destacam pela presença nas lavouras e pelo papel que tiveram na história do café:

  • Típica: considerada uma das cultivares mais antigas do arábica, deu origem a diversas outras variedades ao longo dos séculos. A planta costuma ser mais alta e menos produtiva, mas é associada a uma xícara equilibrada e de boa qualidade.
  • Bourbon: surgiu como uma mutação natural da típica e se tornou uma das variedades mais cultivadas no mundo. Costuma render uma bebida mais doce e encorpada, com boa aceitação entre torrefadores que buscam equilíbrio entre corpo e acidez.
  • Mundo Novo: um cruzamento natural que ganhou força nas lavouras brasileiras por unir vigor de planta e boa produtividade com qualidade de bebida consistente. É uma das variedades mais cultivadas no Brasil até hoje.
  • Catuaí: desenvolvido a partir de cruzamentos que buscavam uma planta mais baixa e compacta, o que facilita o manejo e a colheita. Existe em versões de fruto amarelo e vermelho, é bastante produtivo e é uma presença constante em fazendas brasileiras.

Cada uma dessas variedades reage de um jeito ao solo, à altitude e ao clima da região onde é plantada — o que se conhece como terroir do café. Por isso, a mesma variedade pode entregar xícaras diferentes dependendo de onde foi cultivada, e é essa combinação entre genética e ambiente que torna o universo do café tão amplo para explorar.

Geisha: a variedade mais valorizada do café especial

Entre as variedades de café arábica, a geisha (também escrita “gesha”) ocupa um lugar à parte. Ela é reconhecida por um perfil sensorial bem diferente do que se espera de um café “tradicional”: notas florais, cítricas e aromáticas que lembram chá e frutas, com corpo geralmente mais leve e acidez vibrante. Esse perfil raro fez da geisha uma das variedades mais premiadas e disputadas em competições e leilões de café especial ao redor do mundo.

Vale destacar que a geisha costuma ser mais exigente de cultivar: a planta tende a ser menos produtiva que variedades como o catuaí ou o mundo novo, o que naturalmente encarece a produção. Some isso à qualidade sensorial excepcional que ela pode atingir quando cultivada em condições favoráveis, e fica mais fácil entender por que essa variedade desperta tanto interesse entre produtores, torrefadores e apreciadores de café especial.

Por que conhecer as variedades muda a forma de tomar café

Prestar atenção na variedade — quando essa informação está disponível no rótulo ou no cardápio da cafeteria — é um passo a mais para quem quer sair do café genérico e explorar sabores. Um bourbon mais doce, um mundo novo equilibrado, um catuaí de corpo médio ou uma geisha floral não são apenas nomes técnicos: são caminhos diferentes dentro da mesma espécie de café, cada um com sua própria personalidade na xícara.

No fim das contas, conhecer essas variedades é um convite a experimentar mais: da próxima vez que for escolher um café, vale a pena perguntar qual variedade está na embalagem. Pode ser o início de uma descoberta gostosa sobre o quanto o arábica tem a oferecer.