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Histórias e Curiosidades sobre Café

O que é café de terceira onda

Café de terceira onda: o que significa esse movimento que trata o café como um produto artesanal, com origem, torra clara e método valorizados.

Mariana Figueiredo Mariana Figueiredo · 5 min de leitura

Se você já ouviu alguém comentar sobre café de terceira onda numa cafeteria e ficou sem entender direito do que se tratava, calma: o termo é mais simples do que parece. Ele descreve uma forma de pensar o café que trata o grão como um produto artesanal, quase como se fosse vinho — com origem, produtor e método de preparo valorizados a cada xícara. Entender essa ideia ajuda a explicar por que tanta gente está trocando o cafezinho de padaria por xícaras mais caras, mais lentas e, para muitos, mais saborosas.

As “ondas” do café: um jeito de contar a história

A expressão “ondas do café” é uma maneira didática de dividir a evolução do consumo em fases. Não são datas fechadas nem eventos oficiais, mas sim uma forma de enxergar mudanças de comportamento e de mercado ao longo do tempo.

Primeira onda: o café vira produto de massa

A primeira onda marca o momento em que o café deixou de ser algo preparado artesanalmente em casa, em pequena escala, para se tornar item industrializado, disponível em qualquer mercado. O foco era conveniência e preço acessível: café solúvel, latas e pacotes padronizados, pensados para chegar à mesa do maior número possível de famílias. Qualidade e origem do grão, nessa fase, praticamente não entravam na conversa — o que importava era ter café em casa, todos os dias, sem complicação.

Segunda onda: cafeterias e experiência

Com o tempo, o café ganhou um novo papel: virou experiência. Surgem as grandes redes de cafeterias, que transformam o simples ato de tomar café em um momento social — encontrar amigos, trabalhar com o notebook, tomar uma bebida à base de espresso com nome elaborado. A segunda onda também populariza termos como espresso, cappuccino e latte para o grande público. O café melhora em qualidade média, mas o protagonismo ainda é da marca e da loja, não necessariamente do grão em si.

O que é café de terceira onda

Terceira onda: o café como produto artesanal

É aqui que a coisa fica mais interessante para quem gosta de café de verdade. Na terceira onda, o grão passa a ser tratado como um produto agrícola nobre, parecido com o que acontece no mundo dos vinhos e cervejas artesanais. Origem, produtor, altitude da lavanda, variedade botânica e processo de secagem passam a ser informações relevantes — e, cada vez mais, aparecem no rótulo da embalagem ou no cardápio da cafeteria.

Torra mais clara e métodos manuais

Um dos sinais mais visíveis dessa mudança é a torra. Enquanto as ondas anteriores costumavam favorecer torras mais escuras (que disfarçam defeitos e uniformizam o sabor), a terceira onda busca torras mais claras, que preservam as características originais do grão: notas florais, frutadas, cítricas ou amendoadas, dependendo da origem. Some a isso a popularização de métodos manuais de preparo — coador de pano, prensa francesa, V60, AeroPress — que colocam o consumidor no controle do processo, em vez de depender só de uma máquina automática.

Transparência e rastreabilidade

Outro pilar da terceira onda é a transparência: saber de qual região o café veio, muitas vezes até qual produtor ou cooperativa cultivou o lote, faz parte da experiência. Isso muda a relação de forças na cadeia produtiva, valorizando quem planta e colhe, e não só quem vende o produto final. Se esse assunto te interessa, vale a leitura sobre o futuro do café, que discute para onde essa cadeia está caminhando.

O que muda para quem consome

Na prática, a terceira onda transformou o consumidor em alguém mais curioso e exigente. Passou a fazer sentido perguntar de onde vem o café, qual a torra, qual método combina melhor com aquele grão específico. Isso também trouxe um efeito colateral conhecido: o preço subiu, já que produção de qualidade, rastreabilidade e torra artesanal custam mais do que café industrializado em larga escala. Por isso, é comum surgir a dúvida se vale a pena pagar mais por um café especial — um tema que a gente já explorou de forma prática no texto sobre custo-benefício do café especial.

Não é sobre certo ou errado

Vale lembrar: nenhuma das ondas “venceu” a outra. Café solúvel, cafeteria de rede e café de terceira onda convivem tranquilamente nas prateleiras e no dia a dia das pessoas, cada um atendendo a um momento e a um bolso diferente. A graça de entender essas fases é justamente poder escolher com mais consciência — e, quem sabe, se permitir experimentar um grão de origem única na próxima vez que passar por uma cafeteria especializada.

Fotos: capa por Jonathan Borba; imagem interna por Pixabay — via Pexels.